Operação 2º Tempo: buscas na casa do ex-prefeito Paulo Gomes, Aliados e Prefeitura investigam repasses irregulares de R$ 5,1 mi ao Tocantinópolis E.C.
A Polícia Civil do Tocantins deflagrou nesta quinta-feira (12) a
Operação 2º Tempo para apurar um suposto esquema de desvio de recursos
públicos destinados a um clube de futebol de Tocantinópolis.
A ação, que cumpriu oito mandados de busca e apreensão, teve como
destaque as diligências realizadas na residência do ex-prefeito Paulo
Gomes, apontado nas investigações como um dos principais responsáveis
por autorizar repasses irregulares ao time durante quase todo o seu
mandato.
Coordenada pela 1ª Divisão de Repressão ao Crime Organizado, com o
apoio da Dracco, Gote, Denarc, DHPP-Gurupi e DRCOT, a operação mira
crimes como peculato, falsidade ideológica, organização criminosa e
lavagem de dinheiro. As investigações foram deflagradas a partir de
relatórios de inteligência financeira do Coaf que sinalizaram
movimentações atípicas relacionadas a repasses públicos ao clube.
Segundo apuração policial, o esquema teria três eixos: autorização de
repasses irregulares por gestores municipais, entre eles Paulo Gomes,
cujo patrimônio já havia sido alvo de bloqueio judicial, uso do clube
como estrutura de fachada com falsificação de documentos (atas e
recibos) e posterior redistribuição/ocultação dos valores, com
transferências para contas pessoais e saques em espécie para dificultar o
rastreamento.
O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 5.141.154,17. A
investigação aponta que o fluxo de repasses investigado remonta a 2009 e
se manteve de forma contínua até 2024, sendo que o Tribunal de Contas
do Estado do Tocantins já havia apontado irregularidades em repasses
anteriores (Acórdão nº 638/2009).
Para o cumprimento das diligências foram mobilizados 34 policiais
civis, 32 investigadores e dois peritos, que recolheram documentos
administrativos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis. Além da
busca na casa do ex-prefeito, foram alvo das ações a sede do clube,
residências de outros investigados e setores da Prefeitura Municipal. Um
dos alvos é policial militar da ativa, o que motivou apoio da Polícia
Militar durante a operação.
A denominação “Operação 2º Tempo” faz alusão ao segundo tempo de uma
partida de futebol, simbolizando a continuidade das investigações contra
supostos ilícitos que teriam usado o esporte como fachada. A Polícia
Civil ressalta o compromisso de apurar os fatos de forma técnica e
rigorosa, visando responsabilizar os envolvidos e resguardar o
patrimônio público.