Operação 2º Tempo: Quase R$ 3 milhões passaram pela conta pessoal do atual presidente do Tocantinópolis Leandro Pereira
Novos dados do relatório de inteligência financeira, incorporados à
Operação 2º Tempo, revelam o caminho de parte dos recursos públicos
suspeitos de desvio em Tocantinópolis. Em apenas um ano, cerca de R$ 3
milhões passaram pelas contas de Leandro Pereira, então presidente do
clube, dos quais R$ 1.100.000,00 saíram diretamente da Prefeitura de
Tocantinópolis para a conta pessoal dele.
A investigação aponta discrepância entre os valores movimentados e a
renda declarada de Leandro na época: sargento com salário inferior a R$
8.000,00 mensais. Além dos repasses, os relatórios identificaram saques
em dinheiro vivo e transferências entre contas. Wagner Pereira Novais,
ex-dirigente do Tocantinópolis, aparece nas apurações como responsável
por retirar valores da conta do clube e depositar tanto em sua conta
pessoal quanto na de Leandro.
Questionado, Leandro afirmou tentar justificar as movimentações: “Depois
que eu assumi a presidência e o prefeito Fabion Gomes, que assumiu
também em janeiro de 2025, a prefeitura não teve repasse. O
Tocantinópolis Esporte Clube, nesse 1 ano e 3 meses que estão fazendo
agora de mandato, não teve nenhum repasse público de nada. Hoje o
Tocantinópolis não tem convênio nenhum com a Prefeitura Municipal de
Tocantinópolis.”
Os novos indícios reforçam as apurações que já apontam esquema
estruturado em três eixos, repasses irregulares por gestores, uso do
clube como fachada com falsificação de documentos e
redistribuição/ocultação dos valores por meio de transferências e saques
em espécie. A Operação 2º Tempo segue em andamento, com buscas e
apreensões e análise de documentos e extratos que poderão apontar
responsabilidades criminais.