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segunda-feira, 16 de março de 2026

Polícia Civil indicia marido por feminicídio de merendeira em Araguaína; suspeito está foragido

A Polícia Civil do Tocantins, por meio da 2ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Araguaína, concluiu o inquérito que apurava a morte da merendeira Rozália Gonçalves Pereira, 36 anos. O marido da vítima, o vigilante Raimundo Gomes da Silva, 59 anos, foi indiciado pelo crime de feminicídio ocorrido em 1º de janeiro de 2026. O suspeito é considerado foragido.

 O corpo de Rozália foi encontrado quatro dias após o crime em um terreno baldio do bairro onde o casal morava. Moradores localizaram o corpo em estado de decomposição ao perceberem forte odor no local. Segundo a investigação, o crime ocorreu após o suspeito atrair a vítima a um encontro usando um perfil falso em aplicativo de mensagens e atacá-la com diversas facadas.

Conforme o delegado Adriano Carvalho, o homem acreditava estar sendo traído e o relacionamento do casal estava em crise, com a vítima desejando a separação. Após o crime, o suspeito voltou para casa, deixou os cinco filhos — quatro crianças — e fugiu em seguida para o estado do Maranhão, onde teria familiares.

A Polícia Civil representou pela prisão preventiva de Raimundo e concluiu o inquérito apontando evidências suficientes para sua responsabilização. A corporação reforça o compromisso no combate à violência contra a mulher e pede a colaboração da comunidade: informações sobre o paradeiro do foragido podem ser repassadas pelo disque-denúncia 197 ou pelo WhatsApp da 2ª DHPP (63) 3901-7485. O anonimato é garantido.

Levantamento da Polícia Civil indica que, desde 2022, foram registrados três casos de feminicídio em Araguaína, todos com autoria identificada ao longo das investigações, segundo as autoridades.

Mês da Mulher: Dorinha reforça luta contra violência e misoginia e defende prioridade às políticas de proteção às mulheres no Tocantins

Março é mês dedicado às mulheres e a senadora Professora Dorinha Seabra (União) chama atenção para a necessidade de fortalecer políticas públicas de proteção e enfrentamento à violência no Tocantins. A parlamentar tem defendido, no Congresso e no estado, iniciativas que combatam o machismo, a misoginia e todo tipo de agressão contra mulheres. 

 Para Dorinha, o debate precisa sair do discurso e se transformar em ações concretas. “Proteger as mulheres é uma responsabilidade coletiva. O poder público precisa garantir estrutura, acolhimento e justiça para quem sofre violência”, afirma.

Dados da Secretaria da Secretaria Estadual de Segurança Pública mostram que o feminicídio continua sendo uma realidade preocupante no estado. Em 2025, o Tocantins registrou 20 casos, um aumento de 53,8% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 13 ocorrências. A maioria dos crimes aconteceu dentro de casa, principal cenário das mortes, e mais da metade ocorreu durante a noite. Ao todo, 33 mulheres foram vítimas de feminicídio nos dois anos analisados, principalmente na faixa entre 18 e 59 anos, o que revela o impacto da violência em diferentes fases da vida.

Diante desse cenário, Dorinha defende prioridade a políticas de prevenção, proteção e acolhimento às vítimas. Entre as medidas consideradas essenciais estão o fortalecimento das delegacias especializadas, a ampliação de casas de apoio para mulheres em situação de risco, campanhas educativas e ações que incentivem a autonomia financeira feminina.

“Não podemos naturalizar a violência. Cada mulher que perde a vida representa uma falha coletiva que precisa ser enfrentada com políticas sérias e compromisso permanente com a dignidade e o respeito”, destaca.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Projeto da senadora Dorinha Dorinha impede liberações de agressores em audiências de custódia sem análise judicial

 Um novo projeto de lei (PL 4245/25) apresentado pela senadora Professora Dorinha Seabra (União) pretende atualizar o Código de Processo Penal (CPP) para reforçar que toda pessoa presa deve ser apresentada a um juiz em audiência de custódia, independentemente do tipo de prisão. A proposta segue entendimento já consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e corrige brechas que têm permitido a liberação de agressores sem análise judicial.

Na prática, o projeto garante que nenhum detido será liberado apenas porque o flagrante “perdeu a validade”, como ocorreu em Araguacema (TO), quando Gilman Rodrigues da Silva espancou Delvânia Campelo, que ficou gravemente ferida, em abril deste ano. Como não houve flagrante, ele participou de uma audiência de custódia e foi liberado. Poucos dias após as agressões, Delvânia acabou morrendo. Somente após a sua morte que Gilman teve a sua prisão decretada.

Dentre os inúmeros casos de violência contra a mulher que ocorrem diariamente, outro que ganhou notoriedade nacional foi o do influencer Thiago Schutz, conhecido como o “Calvo da Campari”, ocorrido em 28 de novembro, acusado de agredir a namorada e que foi liberado logo após a audiência de custódia, em São Paulo, por não ter havido flagrante.

Com a atualização do CPP, situações como essa deixam de ocorrer: o juiz sempre terá que analisar o caso antes de qualquer liberação. “A nossa proposta é que o juiz avalie a pessoa detida, ouvir o que aconteceu e analisar se a prisão deve ser mantida, relaxada ou substituída por outra medida. A liberação do agressor após audiência de custódia sem essa análise pode culminar em uma tragédia. O agressor pode ir novamente atrás da vítima e é o que queremos evitar”, explicou Dorinha.

O projeto se baseia na decisão do STF na Reclamação 29.303/RJ, que confirmou que a audiência de custódia é obrigatória tanto para prisões em flagrante quanto para outras modalidades previstas no CPP. O entendimento também está alinhado às normas internacionais de direitos humanos, que determinam que qualquer pessoa detida deve ser rapidamente apresentada a uma autoridade judicial.

Dados de feminicídio

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que, de janeiro a setembro deste ano, 1.075 mulheres morreram vítimas de feminicídio. Nesse mesmo período, mais de 2,7 mil mulheres sofreram tentativas desse tipo de crime.


 

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Tocantinópolis: Homem é Condenado a Mais de 12 Anos de Prisão por Tentar Matar Ex-Companheira no Momento que Ela Amamentava Criança

 O Ministério Público do Tocantins (MPTO) obteve a condenação de Vanilson Alves dos Santos a 12 anos, 1 mês e 6 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelo Tribunal do Júri da Comarca de Tocantinópolis.

 Ele foi julgado no dia 4 de Novembro pelo crime de tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira. A acusação foi sustentada em plenário pelo promotor de Justiça Charles Miranda Santos.

O Conselho de Sentença acolheu as teses do MPTO, reconhecendo que o crime teve motivação por razão da condição de sexo feminino e foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Também foi fixada indenização de R$ 50 mil por danos morais à vítima. O direito de recorrer em liberdade foi negado e a prisão preventiva do réu foi mantida. Ainda cabe recurso contra a decisão.

Segundo a denúncia, o ataque ocorreu em 21 de fevereiro de 2016, em um povoado da zona rural de Tocantinópolis. Vanilson, inconformado com o fim do relacionamento cuja união nasceu um filho do casal, já havia ameaçado a vítima. Na madrugada, ele engrossou uma faca sob o pretexto de descascar uma laranja, aproximou-se enquanto a mulher amamentava a bebê recém-nascida, golpeou-a na cabeça com um pedaço de pau e em seguida desferiu múltiplas facadas. Durante o ataque exigiu a entrega da bebê para matá‑la; a mãe protegeu a criança com o próprio corpo e sofreu diversos ferimentos.

A vítima conseguiu fugir, e o agressor ainda tentou atropelá‑la em seguida. Ela alcançou a casa do pai e pediu socorro. O laudo pericial registrou sete lesões e a existência de deformidade permanente.