Idosa de 78 anos morre após possivelmente receber sangue incompatível no Hospital Regional de Augustinópolis
A dona de casa Iraci Borges dos Santos, 78 anos, moradora de
Sítio Novo do Tocantins, morreu no Hospital Regional de Augustinópolis (HRAug)
após, segundo a família, receber uma bolsa de sangue com tipo incompatível. O
caso aconteceu entre 28 de março e 16 de abril de 2026 e é alvo de investigação
policial.
Iraci deu entrada no hospital em 28 de março com quadro de
pneumonia, sem febre, e foi internada no dia seguinte com diagnóstico adicional
de cardiopatia. Ao longo da internação, a paciente passou por diferentes
setores até ser transferida para isolamento na “Ala A” em 13 de abril, onde a
família relata condições precárias de infraestrutura.
Na manhã de 15 de abril, uma enfermeira colheu sangue para
tipagem e, por volta do meio-dia, iniciou uma transfusão. A filha da vítima,
Iara Borges dos Santos, desconfiou do procedimento, fotografou a bolsa e,
minutos depois, a transfusão foi interrompida por um plantonista do
laboratório. A foto mostrava sangue A positivo; a família afirma que o tipo
sanguíneo de Iraci era O positivo.
Segundo o Boletim de Ocorrência nº 00034626/2026, registrado
em 16 de abril, Iraci passou mal imediatamente após a suspensão da transfusão.
A filha denuncia demora no atendimento de emergência. Apesar das intervenções
médicas subsequentes, a paciente não resistiu e faleceu na unidade.
A família foi orientada a registrar o caso na polícia e
pediu cópia integral do prontuário médico. A Polícia Civil abriu investigação
para apurar responsabilidades, cadeia de custódia do sangue e identificar os
profissionais envolvidos. O caso foi registrado como homicídio culposo com
aumento de pena por inobservância de regra técnica (Art. 121, §4º do CP).
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins
(SES-TO) informou não ter sido oficialmente notificada, mas afirmou que tomará
as providências cabíveis assim que tiver acesso às informações formais e se
colocou à disposição para colaborar. A família reclama de silêncio e falta de
esclarecimento por parte da unidade. Iara relatou profundo sofrimento e
sensação de descaso diante da perda.