Polícia Civil deflagra Operação Nêmesis contra grupo que usava agiotagem e intimidação em Guaraí e Palmas
A Polícia Civil do Tocantins, por meio da 1ª Divisão Especializada de
Repressão ao Crime Organizado (1ª DEIC – Palmas), deflagrou na manhã
desta sexta-feira (24) a Operação Nêmesis. A ação cumpriu quatro
mandados de prisão preventiva, seis mandados de busca e apreensão e três
mandados de suspensão de funções públicas por prazo de 60 dias.
A investigação apura a atuação de uma associação criminosa armada
dedicada à cobrança ilegal de dívidas, com práticas de usura pecuniária,
extorsão qualificada e associação criminosa. As apurações apontam que
um empresário, de 45 anos, e sua mãe, de 65 anos, sofreram ameaças e
intimidações para o pagamento de empréstimos com juros abusivos.
Os fatos teriam começado em Guaraí, quando o empresário contraiu
dívida com um dos investigados identificado pelas iniciais F.A.G.A., 52
anos. Ao longo de mais de dois anos, foram cobrados juros mensais
elevados — em alguns meses chegando a R$ 4 mil — que tornaram impossível
a quitação do débito. Mesmo após a venda do estabelecimento em Guaraí, a
dívida não foi considerada quitada.
Após mudar-se para Palmas e abrir novo comércio, o empresário passou a
sofrer cobranças ainda mais intensas. Em 25 de fevereiro de 2026, o
estabelecimento foi invadido por indivíduos que, mediante grave ameaça e
exibição ostensiva de arma de fogo, exigiram o pagamento dos valores. A
investigação relata que a mãe da vítima foi alvo de intimidação armada
durante a ação.
Entre os investigados estão R.P.V.S., 36 anos (servidor público
contratado), D.L.B.J., 30 anos, e V.R.S., 47 anos (ambos servidores
públicos efetivos). Há indícios de que alguns integrantes utilizaram
suas funções públicas para constranger as vítimas, inclusive com
simulação de registros policiais para forçar pagamentos. As provas
coletadas envolvem registros audiovisuais e trocas de mensagens que
mostram divisão de tarefas entre liderança, articulação logística e
execução das cobranças.
O juiz decretou a prisão preventiva dos quatro investigados diante do
risco à ordem pública e à instrução criminal. Foram cumpridos mandados
de busca em endereços vinculados aos suspeitos e locais relacionados às
funções públicas de alguns deles. A operação contou com apoio da DRACCO,
DENARC, 6ª DEIC, DRCOT e do GOTE.
“O trabalho investigativo demonstrou a atuação estruturada e
reiterada desse grupo, que utilizava ameaças, intimidação e até da
condição funcional de alguns integrantes para constranger as vítimas e
obter vantagem ilícita. A operação representa uma resposta firme da
Polícia Civil contra práticas criminosas que violam a dignidade e a
segurança das pessoas”, afirmou o delegado Wanderson Chaves de Queiroz.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a responsabilização dos suspeitos.