quinta-feira, 16 de abril de 2026

Dois policiais militares são denunciados pelo MPTO por homicídio em Araguaçu-TO

Dois policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO) pelo homicídio de um homem ocorrido em setembro de 2025 na rodovia TO-181, no trecho entre Sandolândia e Araguaçu.  

A denúncia, encaminhada ao Tribunal do Júri, descreve a ação como planejada, com monitoramento prévio da vítima, perseguição e execução em via pública durante a madrugada.

Segundo os promotores Jorge José Maria Neto, Célio Henrique Souza, Rodrigo de Souza, Matheus Eurico Borges e Rafael Alamy, a vítima havia procurado o MP para relatar supostos abusos, perseguições e ameaças por parte de policiais. Esse relato, dizem os promotores, teria sido interpretado pelos denunciados como ameaça, desencadeando a perseguição.

As investigações apontam que os policiais acompanharam a vítima durante um evento em Sandolândia e, horas depois, seguiram a motocicleta até um trecho isolado da rodovia, onde dispararam oito vezes. Três tiros atingiram a vítima — nas costas, no braço e na perna —, que morreu no local.

A denúncia destaca ainda o uso de armamento oficial em um dos disparos, arma de propriedade do Estado que deveria servir à proteção da população. Para o MPTO, o desvio dessa finalidade agrava o crime e compromete a confiança pública nas instituições de segurança.

Há indícios de emboscada e impossibilidade de defesa da vítima, além de atuação conjunta com apoio logístico e veículos, o que, na avaliação do MP, caracteriza comportamento comumente associado a grupos de extermínio.

Após o fato, os investigados teriam tentado dificultar a apuração: teriam simulado extravio de arma, pesquisado métodos de rastreamento de celulares e formatado aparelhos telefônicos. Por isso, o MP incluiu na denúncia o crime de fraude processual por tentativa de comprometer provas.

Os dois policiais permanecem custodiados no 4º Batalhão da Polícia Militar do Tocantins. O MPTO requer que os acusados sejam julgados pelo Tribunal do Júri. O caso provocou ampla repercussão e sensação de insegurança na população local, especialmente por envolver agentes responsáveis pela segurança pública.