Polícia Civil deflagra 6ª fase da Operação Gotham City e alvos da cúpula do Comando Vermelho são presos
A Polícia Civil do Tocantins, por meio da Divisão de Homicídios e
Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas, deflagrou nesta segunda-feira (9) a
6ª fase da Operação Gotham City para cumprir mandados de prisão contra
integrantes do Comando Vermelho vinculados a homicídios ocorridos no
primeiro semestre de 2023.
Nesta etapa foram cumpridos quatro mandados contra investigados
apontados como executores e lideranças da facção, entre eles integrantes
da cúpula conhecidos pelos apelidos “Luxúria” (LX) e “Galo Cego”, este
último preso em fevereiro no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro. Parte
dos alvos já estava custodiada no sistema prisional do Tocantins e do
Rio de Janeiro.
A fase também consolidou a elucidação do duplo homicídio de Pedro
Duarte e Silva e Kauã Vinícius Lobo Rodrigues, ocorrido em 4 de maio de
2023, no setor Aureny II. Segundo as investigações, os jovens foram
surpreendidos por uma emboscada executada por dois homens em uma
motocicleta vermelha; um dos atiradores teve mandado cumprido nesta
operação. Imagens de câmeras de segurança mostraram estudantes fugindo
após os disparos e a rápida fuga dos suspeitos.
O delegado Eduardo Menezes destacou que o ataque foi ordenado pela
cúpula do Comando Vermelho formada, segundo a investigação, por Luxúria,
Beira Lago, Dad Charada e Galo Cego, e teria como alvo Kauã Vinícius,
supostamente ligado a facção rival. Pedro Duarte foi atingido por estar
no local no momento do crime.As apurações apontam que a violência decorreu da disputa territorial
entre Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC),
conflito que resultou em mais de 100 homicídios em Palmas no primeiro
semestre de 2023. Após o pico do confronto, a DHPP manteve a análise de
milhares de dados e materiais coletados.
Durante as investigações, policiais tiveram acesso a grupos de
WhatsApp usados pela organização para planejar ataques, recrutar
executores e organizar logística. Em mensagens, lideranças comemoraram
execuções e discutiram a utilização da motocicleta vermelha usada no
atentado, chegando a sugerir sua descontinuação por estar “pixada”,
termo do grupo para veículo visado pela polícia.
A operação divulgou ainda novos áudios de reuniões da cúpula do
Comando Vermelho, nos quais são tratadas aquisições de armamento, compra
de drogas na fronteira com Paraguai e Bolívia, articulações com
integrantes no Morro da Rocinha (RJ) e execuções relacionadas a dívidas
com o tráfico. As mensagens revelam conflitos internos, incluindo
rivalidades envolvendo Dad Charada após mudança de facção.
Além do cumprimento dos mandados contra lideranças, policiais civis
capturaram no Jardim Aureny III um dos ocupantes da motocicleta usada no
duplo homicídio. As investigações prosseguem para identificação de
demais envolvidos e novos desdobramentos podem ocorrer.