Vereadora Josy Milhomem Apresenta Projeto na Câmara Para Aumentar o Salário do Prefeito, Vice e Secretários de Tocantinópolis
Em meio à rotina de promessas não cumpridas e serviços públicos ainda
carentes, a vereadora Josedilma Milhomem (MDB) apresentou um projeto de
lei na Câmara de Tocantinópolis que propõe reajuste nos subsídios do
prefeito, do vice e dos secretários, com índices maiores que o reajuste
do novo salário-mínimo e em prazo questionável.
O projeto usa o IPCA de 2024 (4,83%) e o novo piso nacional como
justificativa, mas sugere recomposição imediata mesmo após a própria
autora admitir que a correção poderia ocorrer apenas em 2025.
O texto prevê aumento do prefeito de R$ 22.549,09 para R$ 23.683,21
(5,02%), do vice de R$ 11.274,55 para R$ 11.819,10 (4,83%) e dos
secretários de R$ 8.455,90 para R$ 8.864,31. Ainda que a recomposição
salarial de agentes políticos seja prevista em emenda à Lei Orgânica e
na Lei Municipal nº 1.130/2022, o processo que levou o projeto à votação
apresenta vícios: o relatório da Comissão de Finanças e Orçamento cujo
relator é o vereador Jairo Pereira da Silva, não trouxe o impacto
financeiro e além do mais, o regimento interno proíbe vereadores de
propor matérias que aumentem despesas, sendo esta uma atribuição do
Executivo.
Mesmo assim, o projeto avançou e foi aprovado em primeira e segunda
votação pela maioria dos vereadores na terceira e quinta sessão do mês
de fevereiro. A pressa e a tramitação sem clareza sobre o custo ao
erário soam desrespeitosas diante da carência em áreas essenciais
citadas pela própria vereadora, infraestrutura urbana, saúde,
assistência social e educação, e contra o senso público de
proporcionalidade, já que o aumento proposto ao “chefinho” supera o
reajuste do novo salário-mínimo (3,90% para 2026).
Chama à atenção a alegria estampada no rosto da vereadora durante a
sessão, quando ela própria leu o parecer da comissão de finanças
favorável a tramitação do projeto.
A aprovação parcial revela mais do que um ajuste técnico: expõe
escolhas políticas e prioridades que colocam o bolso de gestores acima
da transparência e da responsabilidade fiscal. Resta aos cidadãos e à
imprensa acompanhar as próximas votações e exigir explicações sobre o
encaminhamento do projeto e a estimativa de impacto no orçamento
municipal.