Pai e filho são indiciados por extorsão e estelionato ao prometer lotes da reforma agrária em Araguatins
A Polícia Civil do Tocantins, por meio da 11ª Delegacia de
Araguatins, concluiu investigação que resultou no indiciamento de dois
homens — C.A.S.Z., 74 anos, e H.D.M.Z., 42 anos, pai e filho — pelos
crimes de extorsão, estelionato e usurpação de função pública. Segundo o
delegado responsável, os investigados se faziam passar por
representantes da Associação Nacional de Agricultura (ANU) e cobravam
valores indevidos de famílias da zona rural em troca da promessa de
acesso a lotes de reforma agrária.
De acordo com o relatório policial, as cobranças vinham sendo feitas
sob pressão e, em vários casos, por meio de transferências via PIX. A
investigação apontou que não havia respaldo legal para as cobranças: o
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou que
a elaboração de projetos de assentamento é atribuição exclusiva do
órgão, sem previsão de pagamento a terceiros.
Com a quebra de sigilo bancário, apurou‑se que o idoso figurava como
principal destinatário dos valores movimentados, o que, segundo a
Polícia Civil, indica participação direta no esquema. Também há indícios
de intimidação às vítimas, fato que agravou a conduta atribuída aos
investigados.
O delegado Gilmar Silva de Oliveira ressaltou a gravidade do caso:
“Trata‑se de um esquema que se aproveita da vulnerabilidade de famílias
que aguardam acesso à terra. As investigações demonstraram que não havia
qualquer respaldo legal nas cobranças realizadas.” Diante dos elementos
reunidos, a autoridade recomendou que os indiciados cessem
imediatamente qualquer cobrança, sob pena de representação por prisão
preventiva.
Foram sugeridas ainda medidas cautelares, como a proibição de acesso a
locais relacionados às vítimas e de contato com os envolvidos. A
Polícia Civil informou que as investigações continuam em andamento com o
objetivo de responsabilizar todos os participantes do esquema e
reforçou orientação para que eventuais vítimas procurem a delegacia
local para registrar ocorrência.