Pesquisa Que Colocava Vicentinho Na Frente É Suspensa Pela Justiça Por Falta De Transparência E Irregularidades
O Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) determinou, na
manhã desta quarta-feira (01/04), a suspensão imediata da divulgação de
duas pesquisas de intenção de voto realizadas pelo Instituto Exata.

As
decisões liminares, proferidas pela Juíza Relatora Carolynne Souza de
Macêdo Oliveira, atenderam integralmente aos pedidos formulados pelo
Diretório Estadual do partido União Brasil em duas representações
judiciais.
As pesquisas suspensas estão registradas na Justiça Eleitoral sob os números TO-01693/2026 e TO-06645/2026.
A principal argumentação do União Brasil, aponta para fortes indícios
de simulação e fraude nos levantamentos. Segundo o partido, a empresa
registrou os detalhes da execução da pesquisa, que deveriam refletir o
trabalho de campo, antes mesmo de as coletas de dados terem sido
iniciadas.
Além disso, as representações destacaram que o instituto descumpriu
uma regra fundamental para a transparência e a fiscalização das
pesquisas. A empresa não complementou os registros com informações
obrigatórias exigidas pelo § 7º do artigo 2º da Resolução TSE nº
23.600/2019. Referidos dados incluem o número de eleitores pesquisados
em cada setor censitário e a composição da amostra final de
entrevistados, detalhando gênero, idade, grau de instrução e nível
econômico. A ausência dessas informações impede a verificação da
credibilidade e da metodologia aplicada.
Nas decisões, a Juíza Relatora Carolynne Souza de Macêdo Oliveira
destacou o risco que a publicidade de levantamentos irregulares
representa para o processo democrático. Conforme a magistrada, “a
divulgação irregular de números estatísticos possui aptidão de causar
interferência indevida ao eleitorado tocantinense, bem como de induzi-lo
a erro mediante dados que carecem de transparência”.
O advogado do União Brasil no Tocantins, Leandro Manzano, comentou as
decisões, afirmando que as irregularidades comprometem a lisura dos
levantamentos. “Há fortes indícios de que as pesquisas foram
simuladas, uma vez que no dia de seu registro foram apresentados os
exatos números da execução de um trabalho que ainda iria acontecer.
Somado a isso, a falta de complementação dos dados essenciais torna as
pesquisas absolutamente sem transparência e impossíveis de serem
auditadas, o que justifica plenamente a suspensão determinada pela
Justiça Eleitoral”, declarou Manzano.
Com as decisões, o Instituto Exata fica proibido de divulgar os
resultados das pesquisas TO-01693/2026 e TO-06645/2026, sob pena de
multa diária. A divulgação de pesquisas consideradas irregulares ou
fraudulentas pode sujeitar os responsáveis a sanções severas, incluindo
multas que podem ultrapassar R$ 100 mil, conforme previsto na legislação
eleitoral.