Biblioteca da UFT em Porto Nacional recebe acervo do jornalista Athos Pereira da Silva
A doação será nesta sexta-feira (17) e reúne cerca de 1,5 mil livros
A Universidade Federal do Tocantins (UFT), Câmpus
de Porto Nacional, receberá na próxima sexta-feira, 17 de abril, às 9h, a doação
do acervo pessoal do jornalista Athos Pereira da Silva. A coleção, composta por
aproximadamente 1,5 mil volumes, passará a integrar a Biblioteca da Unidade,
ampliando o acesso a obras de diferentes áreas do conhecimento.
Natural de Porto Nacional, Athos Pereira da
Silva teve trajetória marcada pela atuação política e intelectual. Durante a
ditadura militar no Brasil, enfrentou prisão, clandestinidade e exílio, tendo
vivido no Chile, México e Bélgica. Faleceu em 13 de agosto de 2024. Era irmão
do poeta Pedro Tierra, que destacou o significado do acervo e da doação.
Segundo Pedro Tierra, a coleção reflete uma
trajetória de vida vinculada à militância e à busca por transformação social. “Não
se trata da biblioteca de um bibliófilo. É a biblioteca de um militante que
amava os livros. Um conjunto de aproximadamente mil e quinhentos volumes que
tem um poder de sugestão e busca inesgotável”, afirmou, ao descrever o acervo,
que reúne desde clássicos das teorias revolucionárias dos séculos XIX e XX até
obras da literatura universal, filosofia, sociologia, história e política.
A decisão de destinar o material a uma
instituição pública foi um desejo expresso em vida por Athos: “Disse que se ele
partisse antes de mim, que eu doasse o acervo a uma instituição pública, aberta
a mais leitores, porque assim ficaria acessível não apenas a nossos familiares
e amizades”, explicou Thais Maria Pires, companheira do jornalista . “Assim,
com o gesto da UFT em acolher o material e o apoio de familiares e amigos,
conseguimos materializar esse sonho”, comemora ela.
Para a família, a doação também carrega um
sentido simbólico. “Partilhar conhecimento, ciência, a incessante busca do
conhecimento histórico, científico e cultural, partilhar a paixão pela literatura
é, em última análise, o sentido da nossa trajetória como seres humanos”,
destacou Pedro Tierra.
A diretora do câmpus, Etiene Pires, ressaltou
o significado da chegada do acervo para a instituição e para a cidade. “Porto
Nacional é considerada a capital da cultura, berço de poetas, artistas e
figuras políticas. Para nós é uma honra muito grande receber a coleção de
livros de Athos Pereira, um importante portuense, irmão de Pedro Tierra, que
inclusive é o nome do nosso diretório acadêmico", pontuou ela. Etiene
menciona ainda, que Porto Nacional é o Câmpus mais antigo da Universidade:
"Nós já temos conhecimento e know-how para receber, de uma forma bastante
cuidadosa, as coleções e acervos. Aqui nós temos cinco coleções biológicas de
renome internacional, além de acervos culturais, como por exemplo o acervo dos
povos indígenas. Para nós é uma grande honra receber este acervo, porque nós
estamos enquanto universidade fortalecendo a memória e a cultura portuense.”
A reitora professora Maria Santana reforça o
impacto da iniciativa para a comunidade acadêmica e para a sociedade: “A doação
de livros para a Biblioteca do Câmpus de Porto Nacional representa muito mais
do que a ampliação de um acervo — é um gesto concreto de compromisso com a
democratização do conhecimento, com a formação cidadã e com o fortalecimento do
papel social da universidade. Cada obra incorporada a esse espaço amplia
horizontes, fomenta o pensamento crítico e reafirma a educação como instrumento
de transformação. A UFT segue empenhada em garantir que nossos câmpus sejam
ambientes vivos de aprendizagem, acesso e oportunidade para toda a comunidade.”
Para a família, a incorporação do acervo à
Biblioteca da UFT contribui para preservar a memória de Athos Pereira da Silva
e ampliar as possibilidades de pesquisa e formação crítica para estudantes,
pesquisadores e a comunidade em geral.
Saiba mais
Athos Pereira da Silva nasceu em Porto
Nacional. Sexto filho de Sabino e Ana, migrantes piauienses que se
estabeleceram na região norte de Goiás na década de 1930. Teve sua formação
inicial em escolas públicas, onde se destacou ainda jovem.
Sua trajetória foi profundamente marcada pelo
contexto político brasileiro. Durante a ditadura militar, iniciada em 1964,
engajou-se na resistência, passando por prisão, clandestinidade e exílio em países
como Chile, México e Bélgica. Com a anistia, retornou ao Brasil e seguiu
atuando nas lutas pela redemocratização.
Definia-se como militante das lutas
populares, comprometido com a construção de uma sociedade mais justa. Ao longo
da vida, reuniu um acervo que expressa esse percurso, articulando pensamento crítico,
literatura e reflexão sobre a realidade social.